08/06/2008

O Milagre de Tambaú


Uma velha milionária, ao receber a benção
Jogou as muletas fora, no meio da multidão
Tirou seu colar de ouro, e chorando de emoção
Quis entregar para o Padre, pra mostrar sua gratidão

O Padre então lhe falou: eu não posso aceitar
Que os milagres que Deus faz, só o bem pode pagar
Mais se é esse o seu desejo, pegue então o seu colar
Dê a primeira pessoa, que no caminho encontrar

A primeira criatura, que na estrada apareceu
A velha lembrou do Padre, do seu carro ela desceu
Foi pra dar o seu colar, na hora se arrependeu
Por ser uma pobre preta, cinco mil reis ela deu

Mais adiante a velha rica, viu suas pernas enfraquecidas
Voltando de novo ao Padre, por ele foi repreendida
Teus cinco mil reis estão aqui, guarde pro resto da vida
Que a pretinha que você viu, era Senhora Aparecida

07/06/2008

Final Feliz

Chega de fingir.
Eu não tenho nada a esconder
Agora é pra valer
Haja o que houver

Não tô nem aí
Eu não tô nem aqui
Pro que dizem
Eu quero é ser feliz!
e viver pra ti...

Pode me abraçar sem medo
Pode encostar sua mão na minha

Meu amor...
deixa o tempo se arrastar sem fim...
Meu amor,
Não há mal nenhum gostar assim

Oh, meu bem...
Acredite no final feliz
Meu amor,
Oh meu amor...

(Jorge Vercillo)

04/06/2008

Olhando o Mar


Sempre que fito o mar
tenho a ilusão de achar-me diante
de um silêncio amplo, ondulante,
de um silêncio profundo,
onde vozes lutassem por gritar,
por lhe fugirem do invisível fundo.

Diante do mar eu fico triste,
nessa mudez de quem assiste
reproduções do próprio dissabor.
Diante do mar eu sou um mar,
a outro de aporte a se indeterminar.

O mar é sempre monotonia,
na calmaria ou na tempestade.
Fujo de ti, ó mar que estrondas!
porque a tristeza que me invade
tem a continuidadedas tuas ondas...

Mas te amo, ó mar,
porque minha alma e a tua são bem iguais:
ambas profundamente sensíveis,
e amplas, e espelhantes.
Nelas o ambiente atua
apenas superficialmente...
Calma de cismas,
de êxtases, de sonhos,
desesperos medonhos,
ânsias de azul, de alturas...

Longos ou rápidos instantes
em que me transfiguro,
em que te transfiguras...
Nos nossos sentimentos sem represa,
nas nossas almas, quanta afinidade!
Tu sentindo por toda a natureza!
Eu sentindo por toda a humanidade!

Nos dias muito azuis, o meu olhar,
atento, a descer e a se elevar,
supõe o mar um espreguiçamento
do céu e o céu um êxtase do mar.
Há nos ritmos da água marinha
uma poesia, a mais completa,
essa poesia universal da mágoa.

O mar é um cérebro em laboração,
um cérebro de poeta;
nas suas ondas, vêm e vão
pensamentos, de roldão.
O mar, imperturbavelmente,
a rolar, a rolar...
O mar...Concluo sempre que medito
em sua profundeza e em sua vastidão:
o mar é o corpo, é a objetivação
do espaço, do infinito.

(Gilka Machado)